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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Alma Febril

ALMA FEBRIL




Eu sempre soube que iria ser assim, mas acontece da mesma forma em cada evento previamente anunciado: quando ele de fato chega, sua vivência surpreende. E, mesmo aos 51, sabendo que a idade já ia adiantada e que apenas por muita sorte é que até então não havia apresentado nenhum sintoma, surpreendeu-me aquele calor vindo do nada. Ou melhor, de algum lugar de dentro de mim, aquecendo meu pescoço e fazendo com que delicadas gotículas de suor brotassem da minha testa. Durava pouco, um minuto se tanto, mas era o suficiente para me incomodar. Claro que no início eu reputava esse calor aos dias quentes do verão, pois eram eventos muito esporádicos e largamente espaçados no tempo. Mas como começaram a ficar freqüentes e a acontecer no outono seguinte, estação de temperatura amena e às vezes até de frio intenso, entendi: meu termostato estava totalmente desregulado. Era a menopausa chegando.
 O fantasma da menopausa, repudiado, temido... Triste evento que, por mais consciência que qualquer mulher possa ter, não diminui a sensação de fim. O fim da juventude, da função reprodutiva da mulher – e, por associação, o fim da sensualidade, da feminilidade, da saúde, da vida sexual e até mesmo da afetiva!...



Quando os calores passaram a ser freqüentes, encarei como um processo imutável. Quatro, cinco, seis ou mais ondas por dia - e outro tanto à noite, fazendo com que as cobertas parecessem a porta de um forno que eu precisava abrir para que o calor abafado e úmido se dissipasse. Em seguida, o frio da noite entrava sem pedir licença e as cobertas voltavam rapidamente à posição inicial. Nessa gangorra térmica o suor ficava frio, o sono interrompido, a mente lotada de pensamentos negativos relacionados a um futuro incerto.



Para suavizar minha nova condição, passei a imaginar que minha alma estivesse doente: uma alma febril, sofrendo com sua temperatura instável. Sem remédios ou banhos que a amenizassem, a febre da alma deveria esgotar-se por si só, e eu, a acompanhante da enferma, teria que ter paciência para enxugar-lhe discretamente o suor da testa e fazê-la dormir sem tirar suas cobertas, sabendo que seu equilíbrio térmico seria restabelecido em breve. Para depois tornar a se desequilibrar, num vai-e-vem um tanto cansativo - mas real.



Agora que o impacto inicial da desagradável surpresa passou e eu sei que preciso, de qualquer forma, conviver com a nova realidade, é outra associação a que faço: minha alma está preocupada, e muito, com sua saúde. Ela malha o dia todo, vaidosa que é, e se olha ao espelho conferindo as medidas. De tanto exercício, ela se aquece e sua, transmitindo esse calor ao meu corpo. Porém, obviamente não posso ficar atrás: malho também. Vou à academia e me exercito na cadência da alma vaidosa que, assim, acaba passando despercebida. Quando sinto calor, já não sei mais se vem da minha alma marombeira ou de meu corpo igualmente aquecido. O corpo readquire sua função, a mente se aclara e ocupa; e a alma, ainda que tente, não consegue mais me impressionar...



Mas meu orgulho ferido promete: jamais alguém me verá usando um leque. Agüentarei firme com a blusa de lã e jamais, em tempo algum, enxugarei minha testa levemente úmida junto à raiz dos cabelos. Claro, a não ser que não haja ninguém olhando.

(Vany Grizante)





















quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um e-mail inteligente (e maduro)

Uma Mulher inteligente ( e madura) falando dos homens...



... Minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor !
... por Fernanda Montenegro

O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.
Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro.
Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA.
Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.
Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.
4. Respeite a natureza
Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.

6. Cérebro masculino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos).
Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. e você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade.
Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você.
Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens.
Não faça sombra sobre ele...
Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás.
Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.

E Minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!
Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!
Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.



Recebi por e-mail de minha prima Nem e por achá-lo maduro resolvi publicá-lo aqui. Só não posso garantir que é mesmo de Fernanda Montenegro, mas como ela é uma mulher inteligente acho que não vai se importar.



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sábado, 21 de maio de 2011

O valioso tempo dos maduros.

 Ricardo Gondim



 Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam  poucas, rói os caroços.

 Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.  Não quero estar em reuniões onde desfilam ego inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

 Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

 Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo> de secretário-geral do coral.

 As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,  minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com  triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

 O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial.

(Este texto circula na net atribuido a muitos autores, mas de acordo com pesquisa no Google é de Ricardo Gondim)


































quarta-feira, 18 de maio de 2011

A vida pede passagem

Somos ensinados, desde a mais tenra idade, a fechar portas. "Feche a porta ao sair". "Ao sair, bata a porta". "Não se esqueça de fechar as portas". "Será que fechei bem as portas ao sair?" Estas são expressões que vamos ouvindo/repetindo ao longo de nossa caminhada.
Somos sempre chamados a fechar as portas. Seja na infância, adolescência ou maturidade, há sempre a preocupação com o fechamento das portas. Assim como em boca fechada não entra mosca, em porta fechada, acredita-se, não entram intrusos.
Fechando as portas evitamos a visita indesejada, a presença invasora. Fechar é, também, uma forma de evitar a saída. Talvez por isso nos preocupemos tanto em fechar as portas...
Se devemos cuidar para que as portas de nossas residências estejam sempre fechadas, devemos redobrar o cuidado quando se trata das portas internas.
Precisamos apenas lembrar que não adianta fechar as portas da alma na tentativa que reter aquilo que acreditamos nos pertencer, pois, nada nos pertence, mas aquilo que conquistamos continuará conosco, mesmo que as portas estejam abertas.
Se fecharmos a cortina do olhar não perceberemos a beleza da fresta de luz que entra pela porta aberta. De ouvidos fechados não sentimos os sons que invadem nossas vidas, através dos ruídos que, muitas vezes nos incomodam. De lábios cerrados não nos permitimos um sorriso para saudar o dia, que a despeito das portas fechadas, brilha lá fora.
Abrir as portas interiores é, sem dúvida, uma atitude de coragem. É preciso confiança para baixar a guarda. Não é fácil deixar a porta aberta e correr todos os riscos agregados a esta atitude.
A porta aberta simboliza um convite. Um risco. Mas, sem correr riscos conseguimos muito pouco. Quase nada. Sem os riscos/perigos implícitos na liberdade a vida pode parecer uma clausura. Colocar cadeados nas portas pode nos dar sensação de segurança, mas nos priva da beleza que fica lá fora.
É preciso abrir as portas, soltar as correntes, quebrar os cadeados do medo e deixar o vento entrar. É necessário criar coragem e sentar na varanda para tecer sonhos, como quem borda versos no tecido impermeável do tempo, deixar escorrer a poesia presa nos varais do olhar, que busca vida além das janelas e portas, fechadas ou abertas...


Angela Rodrigues Gurgel

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Estou velha, que coisa boa!

Estou velha, que coisa boa!





Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa,minha amadafamília por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.
quanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica
de mim mesma. Eu me tornei minha própria amiga .. Eu não me censuro por
comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de
algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que
parece tão "avant garde" no meu pátio. Eu tenho direito de ser

desarrumada, de ser extravagante.


Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de

compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.



Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as
quatro horas e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos

maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo de chorar

por um amor perdido ... Eu vou.


Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo

decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos

olhares penalizados dos outros no jet set.



Eles, também, vão envelhecer.

Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há mais, algumas coisas na vida

que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.



Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar

seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança

sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um

carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e

compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca

conhecerá a alegria de ser imperfeito.



Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos
grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos

profundos em meu rosto.


Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.


Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa

menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.

Eu ganhei o direito de estar errada.

Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velha. A velhice me
libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para

sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo

lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu

vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!


Recebi por e-mail, de minha irmã Márcia, sem autor. Se alguém conhece o autor, por favor, me avise.